Ciclo de palestras mostra como integrar voluntários em empresas
No último dia 19 de outubro, três profissionais apresentaram cases envolvendo o terceiro setor no mundo corporativo, na sede do CRA-SP. Sob o tema “O Voluntariado e a gestão sustentável: Teoria, Prática e Oportunidades”, Andrea Goldschmidt, Adm. Antonio Prado e Maria de Fátima Alexandre relataram suas experiências e vivências no dia a dia nas empresas onde atuam, na ótica de quem participa de atividades filantrópicas e de cunho social.
Após uma breve introdução do Coordenador do Grupo de Excelência de Ética e Sustentabilidade, Germano Badi, que em conjunto com o presidente do CRA-SP Walter Sigollo recepcionou os participantes, Andrea Goldschmidt descreveu sua experiência à frente da organização não-governamental Apoena Sustentável. O planeta, as relações sociais, a cidadania empresarial e o engajamento dos funcionários são as constantes preocupações da gestora. "Nem sempre a situação na empresa é tão voluntária assim. Existem metas e prazos a cumprir, além de investimentos e orçamentos que precisam ser justificados", explicou Andrea Goldschmidt.
A vocação da empresa para o voluntariado empresarial é observada no desenvolvimento dos trabalhos. No caso da Sabesp, por exemplo, os funcionários têm predileção por programas voltados ao meio ambiente. "Nessas situações, o principal papel da empresa é o de mobilizar o público interno com programas interessantes, construindo relacionamentos, incentivando o envolvimento com a comunidade atendida", acrescentou Andrea. Melhorar a situação organizacional, aumentar a capacidade dos funcionários em produzir com poucos recursos e focar a atuação são imprescindíveis para resultados bem sucedidos.
Três programas do Banco Bradesco foram apresentados como exemplos de organização e ações de voluntariado. Em um destes programas, o Dia Nacional de Ação Voluntária, alunos, funcionários e colaboradores da Fundação e Organização Bradesco unem forças para prestar atendimento em áreas diversas, como Saúde, Educação e Meio Ambiente, por exemplo. Outro programa é a Maratona Social, que tem metas sociais e ambientais no seu contexto. Já o terceiro programa registra a utilização de uma cartilha, que destaca, entre outros pontos, a importância de brincar e resgata antigos jogos e passatempos.
Outro exemplo importante é o da Microsoft, implantado há pouco tempo, porém, transformador, segundo Andrea Goldschmidt. "Ele aborda a administração do trabalho voluntariado e educação profissional de forma clara e objetiva", disse a especialista.
O tripé de atuação “divulgar o que já existe, ampliar o raio de abrangência e estimular as ações possíveis” esteve presente também na segunda palestra da noite, esta proferida por Antonio Prado, historiador da USP, consultor e membro do Grupo Diógenes. O professor apresentou o caso do Projeto Francis, que tem sede em São Bernardo do Campo (SP). Nele, o Programa de Desenvolvimento na Gestão de Pessoas é o destaque. Sensibilizar os profissionais de RH, trocar experiências e ampliar o networking possibilitam a mensuração de valores na sociedade. “O desenvolvimento da espiritualidade na gestão de pessoas também é importante na atuação de voluntários, independente de religiões", comentou Prado.
Inspirado
em São Francisco de Assis, o projeto tem como características simplicidade, informalidade, integração, amor à natureza e ao próximo. Ainda de acordo com o historiador, para funcionar com excelência, o projeto conta com apresentadores e coordenadores voluntários (analistas, gestores, supervisores, empresários, psicólogos) - que recebem treinamento com foco na atuação no voluntariado e pagam uma quantia para participar dos encontros. A renda é revertida para o Projeto Francis.
Durante o programa, os participantes recebem orientação familiar e profissional, cestas básicas e doações diversas. Segundo Prado, o diferencial da estratégia do projeto está na visita do voluntariado nas empresas referência. Já receberam o Projeto Francis a Telefônica, Dow Química e Toyota. Outras empresas preferiram fazer doações, como a Brinquedos Bandeirantes, Seven Idiomas e a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô).
Na última palestra do evento, Maria de Fátima Alexandre, mestre em Administração, psicóloga e especialista em Responsabilidade Social apresentou um vídeo da primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, convocando os norte americanos a participarem do National Day of Service (Dia Nacional do Voluntariado). Participante de diversos projetos de voluntariado, Maria de Fátima trouxe uma abordagem diferente sobre voluntariado ao relatar que as ações beneficentes também podem ser realizadas durante o horário de trabalho, mas com a anuência dos empregadores. "Perto de 49% dos colaboradores são incentivados a praticar o voluntariado pela própria empresa em que atuam", disse.
A psicóloga alerta para o fato de que benemerências podem sofrer restrições de algumas empresas por motivos que não se justificam. "As parcerias devem ser pontuais e duradouras, mas incluindo mapeamentos, estudos e avaliações antecipadas para o trabalho", comentou. O temor é de que as pequenas organizações possam ser "engolidas" ao se associarem a grandes grupos.