Maurício Botelho, presidente da Embraer, recebe o título de Administrador Emérito 2001
Em almoço realizado dia 4 de dezembro, o presidente da Embraer, Maurício Botelho, recebeu do CRA-SP o título de Administrador Emérito 2001. A entrega foi feita por outro Administrador Emérito, o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alcides Lopes Tápias (foto), que recebeu a láurea em 1998. Em seu discurso de agradecimento, Botelho disse que a premiação é uma conquista dos 11 mil funcionários da empresa que dirige.
Em uma cerimônia bastante concorrida, em que estiveram cerca de 500 pessoas, o engenheiro Maurício Botelho, diretor-presidente da Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A. (Embraer), recebeu do Conselho Regional de Administração de São Paulo o título de Administrador Emérito de 2001.

Seu nome foi escolhido por uma comissão formada por representantes da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (Prof. Lindolfo Galvão de Albuquerque); Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV (Prof. José Evaristo dos Santos); Escola Superior de Propaganda e Marketing (José Francisco Vinci de Moraes); Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social (Marcelo Linguite); Associação Brasileira de Recursos Humanos (Eduardo Rienzo Najjar); Sindicato dos Administradores no Estado de São Paulo (Celso dos Santos Grellet); e Conselho Regional de Administração de São Paulo (Ana Akemi Ikeda, Paulo Roberto Pereira da Costa e Sílvio Pires de Paula) referendando decisão da maioria dos administradores que o elegeu como profissional que melhor espelha o ideal da Administração.
Na Embraer, desde 27 de setembro de 1995, Botelho foi responsável pela reorganização da empresa no pós-privatização, instituindo uma nova cultura corporativa empresarial dirigida à satisfação do cliente.
Essa prática garantiu a colocação da empresa entre as líderes do mercado aeronáutico mundial.
Emocionado, Botelho disse que quando entrou para a Embraer era apenas um passageiro exigente. "Não entendia nada sobre aeronáutica, mas logo percebi que a empresa era o mais bem sucedido plano de longo prazo já implantado no País".
Ele atribui o sucesso da companhia à nova visão de empresariamento de negócios e de administração de pessoas implantada após a sua privatização.
Social
"Investimos pesadamente nas pessoas e, hoje, temos orgulho em dizer que criamos o Instituto Embraer de Ensino e Pesquisa, que desenvolve três atividades", disse.
A primeira é um curso de especialização em engenharia aeronáutica, no qual cursam 190 profissionais da empresa; a segunda, um curso de Mestrado em Administração com foco em Comércio Exterior. Conduzido pela FGV, "ele é necessário para que possamos cada vez mais avançar nos mercados internacionais"; e, por fim, um programa de ação social voltado para as comunidades.
Neste campo, o que se pretende é aumentar os padrões de ensino médio com a construção de escolas, cujos currículos deverão ser discutidos e aprovados pela empresa. "Pretendemos que essas escolas sejam de excelência em instalações, equipamentos e em termos de conteúdo".
Crise
Na condução da Embraer, Botelho disse que aprendeu rapidamente duas coisas: que os cenários podem mudar a qualquer instante e que é importante perceber as mudanças e reagir imediatamente.
Foi o que a Embraer fez quando viu seus negócios serem impactados pela tragédia que assolou os Estados Unidos, dia 11 de setembro. "Tomamos medidas duras, mas continuamos com os investimentos que nos permitirão avançar e sobreviver a esta crise com visão de força e conteúdo. Como todas as crises, essa também passará para aqueles que souberem se adequar a novos cenários e construir estratégias condizentes com esse novo ambiente".
Eméritos Criado com a finalidade de reconhecer publicamente o profissional que contribui para o engrandecimento da profissão do Administrador, o título de Administrador Emérito já foi concedido às seguintes personalidades: 1982 - Olavo Egydio Setúbal 1983 - Abílio dos Santos Diniz 1984 - Luiz Eulálio B. Vidigal Filho 1985 - Plínio Oswaldo Assman 1986 - Guilherme Quintanilha Almeida 1987 - Guilherme Afif Domingos 1988 - Wolfgang Franz Josef Sauer 1989 - Olacyr Francisco de Moraes 1990 - Abraham Kasinsky 1991 - Eugênio Emílio Staub 1992 - José Mindlin 1993 - Lázaro de Mello Brandão 1994 - Luiz Fernando Furlan 1995 - Hugo Miguel Etchenique 1996 - Henrique de Campos Meireles 1997 - Benjamim Steinbruch 1998 - Alcides Lopes Tápias 1999 - Antônio Ermírio de Moraes 2000 - Senor Abravanel |
Homenageado iniciou carreira aos 23 anos
Maurício Botelho nasceu em 1942, no Rio de Janeiro. Formou-se em 1965 em Engenharia Mecânica, na Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro e possui diversos cursos de extensão em Finanças e Administração.
Sua carreira profissional teve início em 1965, logo após sua formatura, quando começou a trabalhar como engenheiro. Em 1968, foi nomeado gerente e depois diretor da Empresa Brasileira de Engenharia S.A., sendo responsável pelo desenvolvimento de negócios e implementação de projetos nas áreas de geração de energia e transmissão, siderurgia, mineração e petroquímica.
Foi também diretor-presidente da Cobrel Maquip S.A., uma subsidiária da Cia. Bozano, envolvido no gerenciamento de projetos industriais, bem como na implantação de sistemas de controles e processos.
Na Tenenge, subsidiária do Grupo Odebrecht, foi vice-presidente executivo, sendo responsável pela implementação de diversos projetos industriais, incluindo plataformas de extração de petróleo e de produção de gás, que compreendia a fabricação de estruturas e módulos de processamento no Brasil, Reino Unido e Portugal
Foi presidente da Odebrecht, de 1988 a 1995, cuja atuação era ligada à implementação de sistemas de controles de processos, principalmente nas áreas de ferrovias, metrôs e sistemas de energia e às áreas de telecomunicações e transmissões de dados.
Em 27 de setembro de 1995, foi nomeado diretor-presidente da Embraer. Para recuperar a empresa, Botelho elaborou um plano centrado em quatro pontos: renegociação das dívidas, redução drástica dos custos, busca de uma carteira extensa de contratos e prioridade para o projeto do ERJ 145.
Vitórias
Uma de suas maiores vitórias foi transformar um prejuízo de US$ 300 milhões, em 1998, para um lucro de US$ 230 milhões em 1999, o melhor resultado da empresa desde a sua fundação (1969).
A partir daí, a empresa não parou de crescer. Encerrou o ano fiscal de 2000 com o melhor resultado econômico-financeiro de sua história, registrando uma receita bruta de R$ 5,2 milhões, com um crescimento de 55% em relação ao ano anterior. O lucro líquido no período foi de R$ 645,2 milhões.
Suas exportações em 2000 atingiram a cifra de US$ 2,7 bilhões, o que representa 98% da receita bruta - ou 4,91% de participação do total exportado pelo Brasil. Este resultado colocou a Embraer no primeiro lugar das empresas brasileiras que mais exportam.
Motivação dos funcionários contribui para o sucesso da empresa
Comprada em 1995 por um consórcio liderado pelo grupo Bozzano, Simonsen, em plena recessão provocada pela Guerra do Golfo, a Embraer foi obrigada a reduzir o seu quadro de empregados de 14 mil para 3.200.
Mas como motivar os que ficaram se a companhia sequer tinha dinheiro para treinamentos ou aumentos salariais?
A primeira alternativa foi elaborar um plano de cargos, remuneração e carreiras que previa, entre outros pontos, a criação de um modelo de competências utilizado como base para avaliação, remuneração e desenvolvimento dos funcionários; o estabelecimento de níveis de crescimento de carreira; redução de postos de trabalho; investimento na melhoria da comunicação interna; e conscientização do funcionário como principal responsável por seus resultados e objetivos.
Mesmo assim, o clima que continuou a dominar a empresa foi o de completo baixo-astral. A aposta que todos faziam era de que o conjunto de medidas não adiantaria para nada. A verdade é que a desmotivação era tanta, que poucos acreditavam no futuro da empresa.
A situação era tão ruim que a Bombardier, maior concorrente da Embraer, publicou um anúncio nos jornais de São José dos Campos a fim de levar engenheiros experientes para o Canadá.
Reviravolta
Muitos foram embora, mas quem resolveu ficar não se arrepende. Hoje, a situação da empresa é completamente diferente. Oportunidades de crescimento não faltam. Tanto que, somente em 2001, o orçamento previa US$ 5 milhões para treinamento e desenvolvimento. Para a Embraer, nada é mais producente que ter funcionários treinados e motivados.
A motivação neste caso chama-se Plano de Benefícios. A remuneração por resultados da companhia é uma das mais agressivas do mercado. Se a empresa registrar lucro e houver retirada de dividendos, os funcionários têm direito a até 25% do lucro pago aos acionistas. Essa prática favorece quem ganha salários mais baixos.
A motivação está também na Educação, uma vez que a empresa disponibiliza US$ 400 mil para bolsas de estudo. As bolsas são concedidas mesmo para cursos que não têm ligações com a Embraer.
Tanta motivação explica porque os parceiros internacionais quando desembarcam em São José dos Campos, ficam sem entender porque os funcionários da empresa trabalham cerca de 12 horas por dia.
Escolas"5 As" de São Paulo são homenageadas
Por ocasião da solenidade de entrega do título de Administrador Emérito a Maurício Botelho, o CRA-SP e o Conselho Federal de Administração homenagearam as seis escolas de Administração do Estado de São Paulo que obtiveram o conceito A no Exame Nacional de Cursos (Provão do MEC, durante cinco anos consecutivos (1996 a 2000), com a entrega de um diploma de Honra ao Mérito.

São elas: Esc. de Administração de Empresas de SP da FGV (S. Paulo), Esc. Sup. de Propaganda e Marketing - ESPM (S. Paulo), Esc. de Administração da FAAP (São Paulo), Fac. de Econ. e Administração da PUC (São Paulo), Fac. de Economia e Administração da USP (S. Paulo), e Fac. de Economia, Administração e Contabilidade da USP (Rib. Preto).
Uma semana após a entrega dos diplomas, essas escolas foram classificadas como 6 As, de acordo com nova avaliação do MEC.