Confiança faz comércio eletrônico crescer Com o avanço dos programas de segurança, aos poucos o consumidor brasileiro vai perdendo o medo de fazer compras pela Internet De acordo com um levantamento pela e-Bit, empresa de Pesquisa e Marketing on line, 60% dos internautas brasileiros acostumados a fazer comércio eletrônico compraram presentes de Natal no ano passado pela Internet. Em 2001, a pesquisa registrou 49%. O resultado, comemorado em forma de recordes de faturamento, vendas, número de compradores e de valores gastos, é conseqüência das várias promoções, ofertas e formas de pagamento oferecidas pelas lojas virtuais, e da confiança que os "navegadores" de sites de vendas eletrônicas vêm adquirindo. Para se ter uma idéia do tamanho dessa confiança, basta verificar que o valor médio gasto por internauta foi de R$ 281,00 em dezembro, o mais alto já registrado pelo comércio eletrônico nacional. Com o avanço dos programas que garantem a segurança das informações, os adeptos do e-commerce vão aos pouco descobrindo que é confortável comprar em qualquer lugar e a qualquer hora, sem os transtornos de enfrentar filas ou de "brigar" por vagas nos estacionamentos dos shoppings. E mais: receber os produtos em casa. O comércio eletrônico, de acordo com outra pesquisa da e-bit, só não tem apresentado melhores resultados porque algumas lojas precisam aperfeiçoar os processos de logística (os produtos são entregues com atraso), e a navegação nos sites (as páginas demoram para ser carregadas em função do "peso" das imagens). Mesmo assim, explica Pedro Guasti, diretor geral da empresa, o setor cresceu 50% no ano passado, comparado com 2001, e tende a continuar em ascensão. Espera-se para este ano um crescimento de vendas em torno de 40%, o que poderá significar um faturamento de R$ 1,2 bilhão. Potencial para isso o Brasil tem, já que conta com 14,3 milhões de internautas, ou 40% de toda a América Latina. Bens de consumo O comércio eletrônico não vive apenas da venda de CDs, livros e DVDs. Oferecer bens de consumo de alto valor é uma prática que está dando certo. A General Motors, por exemplo, conseguiu em 2001 vender pela Internet 79% da produção do Celta, o equivalente a 5,5 mil veículos por mês. Há, também, o comércio eletrônico entre empresas, o chamado business-to-business (B2B). Quem está se dando bem com a modalidade é a Ford do Brasil, que vende caminhões, automóveis e autopeças pela Internet para mais de 400 distribuidores. Hoje, ela é responsável pelo maior volume de negócios pela web entre todas as filiais da montadora espalhadas pelo mundo. De acordo com estimativa do instituto de pesquisa IDC
Brasil, as transações de B2B no ano passado devem ter ultrapassado U$
5,4 bilhões, contra US$ 3,8 bilhões em 2001 e US$ 1,7 bilhão em 2000.
Para as vendas entre empresas e consumidores finais (business-to-consumer,
ou B2C), a previsão era de US$ 800 milhões.
A Grande São Paulo é responsável por cerca de 80% do comércio eletrônico do País, movimentando anualmente cerca de R$ 15 bilhões, de acordo com a revista "Info Exame". Entre os fatores que explicam a concentração está a infra-estrutura de telecomunicações, a mais avançada do País, com uma moderna rede de fibra óptica, o que torna a comunicação pela Internet melhor e mais rápida. Outra razão é o fato de São Paulo possuir o maior mercado consumidor do País, superior ao de vários países europeus. Cerca de dois milhões de pessoas que compram produtos e serviços pela Internet residem em São Paulo. A capital paulista tem, ainda, a maioria dos internautas brasileiros e também lidera as operações bancárias pela web. Só o Bradesco contabilizou em 2001 mais de 200 milhões de transações on line. O site de investimentos do banco, o ShopInvest, movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão. Diante deste cenário, os maiores nomes do comércio eletrônico dificilmente deixarão de crescer nos próximos anos.
Conscientes de que a entrega no prazo é uma das razões
que pode levar o consumidor a fazer compras pela Internet, as empresas
virtuais têm investido em logística de distribuição. Estima-se que dos
últimos US$ 500 milhões destinados à melhoria dos serviços de e-commerce
no Brasil, US$ 200 milhões foram para aperfeiçoar os sistemas de entrega.
As lojas virtuais nunca conseguiram cumprir bem os prazos de entrega porque desde o início optaram pela centralização dos estoques e da distribuição, em vez de partirem para a terceirização desses serviços. Nas lojas físicas, o centro de armazenamento costuma ficar próximo aos clientes, geralmente em regiões centrais. Na Internet, nem sempre é possível, pois geralmente os pedidos de todo o País são atendidos por apenas um ponto que concentra as mercadorias. Outro complicador é o custo da entrega, já que as rotas são sempre diferentes e os pedidos, na maioria das vezes, pequenos, inviabilizando operações rápidas. Parceiros A alternativa para escoar as entregas, principalmente para pequenos e médios lojistas virtuais, é a contratação de empresas especializadas em logística. Elas funcionam como se fossem a própria extensão das lojas, já que podem se encarregar desde o recebimento dos pedidos à confecção de notas fiscais e transporte das mercadorias. Uma das vantagens está no "ganho de escala", já que a maioria não tem como dispor de uma equipe para gerenciar o transporte ou para fazer a separação (conferência e expedição) do produto. A outra vantagem, explica Eduardo Luís Chiba, diretor de Logística da Metropolitan Logística, é poder contar com a infra-estrutura (armazenagem, controle de estoque, segurança, mão-de-obra etc) de uma empresa especializada em logística. A utilização dos serviços de operadores logísticos permite que as lojas virtuais saibam, com exatidão, quais são os itens de pouca movimentação, os que são solicitados sazonalmente, os que necessitam de reposição e tenham informações diárias sobre a movimentação financeira e fiscal. A qualidade é outro diferencial. Além dos procedimentos básicos adotados pelas empresas entregadoras, elas seguem as normas de qualidade estabelecidas pelos clientes. Tudo para que a encomenda ao chegar ao destinatário pareça ter saído do galpão da empresa em que a compra foi efetuada. Dentro desse compromisso com a qualidade está a entrega no mesmo dia da compra, principalmente de pequenos artigos. CDs, por exemplo. Chiba explica que apesar de a modalidade estar se tornando praxe na Grande São Paulo, nem sempre é possível cumpri-la. "Depende muito do volume que cada cliente tem. Se um pedido chega às cinco horas da tarde, provavelmente a entrega será feita no dia seguinte", enfatiza. Redução de custos É difícil quantificar a economia de custos que uma empresa virtual passa a ter ao contratar um operador logístico. "Existem ganhos das mais diversas formas, como a de não ter de dispender grandes valores com apólices para segurar as mercadorias,", finaliza Chiba.
|