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Telework: um dos eventos mais importantes
do mundo teletrabalho no CRA-SP
O Telework, que visa
incentivar pesquisas acadêmicas sobre o teletrabalho e promover
a troca de experiência entre praticantes de todo mundo é
realizado pela primeira vez na América Latina, no CRA-SP. Em 2004
será na Grécia

Pesquisadores de vários países, entre eles
Japão, Inglaterra, Suécia, Holanda, Argentina e Brasil,
estiveram reunidos no CRA-SP, de 24 a 27 de agosto, no "Telework 2003
- The 8th International Workshop and Business Conferences on Telework
(8º Workshop Internacional e Conferências de Negócios
sobre Teletrabalho).
Realizado pela primeira vez na América Latina,
graças a uma parceria entre o CRA-SP e a Fundação
Internacional de Teletrabalho (ITF), o Telework é considerado um
dos mais importantes eventos acadêmicos sobre Teletrabalho e novas
formas de trabalho em todo o mundo. A edição brasileira,
cujo tema foi "E-Trabalho e o Desenvolvimento Sócio-Econômico",
recebeu 54 papers (23 do Brasil), dos quais 36 foram apresentados.
O evento contou, ainda, com o "Fórum Latino-Americano
de Teletrabalho (Flat)", que debateu em quatro painéis o gerenciamento
do teletrabalhador, os programas desenvolvidos por organizações
não-governamentais, as tecnologias aplicadas nos processos de inclusão
social e digital e os rumos do teletrabalho na América Latina.
Na avaliação do professor Aluízio
Macario Lima, mestre em Gerenciamento de Tecnologia de Informação
e Comunicação e integrante do Comitê Organizador do
Telework, um dos destaques do evento foi a apresentação
da forma como o teletrabalho vem sendo desenvolvido no Japão (uma
combinação de pesquisas, conferências, treinamento
e troca de informação). "O modelo japonês serve de
espelho para o Brasil, por contar com cinco ministérios em sua
organização", enfatizou. No Japão, 6% da força
de trabalho são de teletrabalhadores.
Na opinião de Macario Lima, a edição
brasileira deu muita ênfase ao gerenciamento do teletrabalho e às
formas de relacionamento dos teletrabalhadores, ("o que é muito
importante", ressaltou), mas esqueceu, por exemplo, de abrir espaços
para temas voltados aos portadores de necessidades especiais. "Há
um entendimento de que o teletrabalho é uma ferramenta para criar
oportunidades de trabalho, de sobrevivência e de inclusão",
explicou.
Universidade
Outro
destaque foi a apresentação do Centro de Teletrabalho e
Teleinformação (CTT), implantado há três anos
pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires
(Argentina). Segundo a professora Sonia Boiarov, uma das fundadoras e
diretora do CTT, ele nasceu da constatação de que era preciso
criar opções para fazer frente ao alto índice de
desemprego no meio estudantil (20% dos 17 mil alunos daquela faculdade
estão sem trabalho e entre os que têm, 13% trabalham menos
de três horas diárias e 15% cinco horas por dia) e para servir
de fonte de receitas ao corpo docente, que sobrevive com baixos salários.
"O teletrabalho está cada vez mais presente nos países desenvolvidos
e, levando-se em conta a crise de emprego na Argentina, a modalidade poderá
ser uma geradora de oportunidades", esclareceu.
A capacitação do pessoal inclui noções
técnicas sobre equipamentos e programas de computadores. "Um teletrabalhador
deve ser capaz de resolver problemas e tomar decisões", detalhou.
No teletrabalho, os alunos ficam sob a responsabilidade do centro, que
atua como tutor", esclareceu. O CTT também faz a disseminação
da modalidade entre as empresas.
O modelo ganhou o reconhecimento de entidades como a
Unesco, que vem concedendo bolsas de estudos (incluindo despesas com materiais,
professores, educadores a distância e tutoria on line) para
a formação de teletrabalhadores que necessitam de uma formação
mais abrangente. Já foram beneficiadas 250 pessoas. Sonia adiantou
que a "ajuda" poderá vir no próximo ano de entidades brasileiras,
com cursos de capacitação pela Internet.
Liberdade de expressão
O teletrabalho no Grupo Semco (formado por 11 empresas
nas áreas de equipamentos industriais, serviços e tecnologia)
é conseqüência da transformação organizacional
implantada a partir de 1980 pelo empresário Ricardo Semler. Prevê,
entre outras coisas, a eliminação do controle sobre as pessoas.
Ou seja, elas são responsabilizadas apenas pelos resultados e não
pelo horário ou metódo de trabalho. Resultado: muitos passaram
a trabalhar em casa. Hoje, formam um batalhão de cerca de 400 teletrabalhadores.
"A
transformação organizacional na Semco deu certo porque a
gestão é participativa", destacou a administradora Neusa
Borjikian, que analisou a empresa por meio de uma pesquisa. Ela constatou
que o segredo está na liberdade de expressão e no compartilhamento
das idéias. "Essa liberdade torna as pessoas co-responsáveis
e mais ponderadas, contribuindo para a eficácia da gestão
da mudança, que é contínua", esclareceu.
Para Neusa, quando se está comprometido com o
resultado o estresse é permanente. Para diminuí-lo e, conseqüentemente,
aumentar a qualidade de vida, a empresa não se importa se o colaborador
está em uma casa de praia ou no cinema em plena quarta-feira à
tarde. O que interessa é o resultado final", concluiu.
Questão de clima?
Por
que a maioria das pesquisas sobre teletrabalho é oriunda dos países
anglo-saxões e nórdicos? Para a professora australiana Wendy
Spinks, da Universidade de Ciências de Tóquio (Japão)
e presidente da Sociedade Japonesa de Teletrabalho, a resposta não
tem nada a ver com o frio, já que ele faz parte da vida daqueles
habitantes. "É uma questão de mentalidade, não de
clima ou de tecnologia. Eles descobriram que podem trabalhar em qualquer
lugar em que estiverem. Essa mentalidade ainda não foi incorporada
pelos latinos", esclareceu.
Wendy é uma das articuladoras da Academia Internacional
de Teletrabalho (The International Telework Academy - ITA), entidade que
sucederá a Fundação Internacional de Teletrabalho
(ITF). "O ITF foi criado para fazer o Telework. Como a qualidade dos trabalhos
vem caindo e, também, diante da necessidade de envolvimento com
a comunidade acadêmica virtual e a de pesquisadores, optou-se pela
fundação de uma nova instituição (ITA)", esclareceu,
ao dizer que os workhops continuarão sendo realizados.
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As palestras
e os autores
- Activities of Telework Promotion in Japan 1993/2003
- Norimasa Yoshida/Schinichiro Tagawa (Japão)
- Modern Technologies in Telecommunication - Júlio
César Dal Bello (Brasil)
- An analysis of the 2002 Japanese Telework - Sakamoto,
Spinks e Shozugawa (Japão)
- Novos Paradigmas nas Empresas: a Força do Trabalho
Distribuída e o Teletrabalho - Francisco de Assis
Gonçalves e Álvaro Mello (Brasil)
- Aspecto Legal e-Commerce de Servicios - Magdelene
Stella Maris Pueyrredon (Argentina)
- Projeto de Inclusão Digital Empresarial -
Jairo Martins, da Siemens (Brasil)
- O Teletrabalhador - Alberto Trope (Brasil)
- As Tecnologias Auxiliares ao Teletrabalho e as Aplicações
- Mauro de Lima Coimbra (Brasil)
- Trabajando com equipos virtuales - La experiência
de Associacion Argentina del Teletrabajo - Angélica
Abdallah Garcia (Argentina)
- A Controvérsia do Teletrabalho - Ana Beatriz
Benites Manssour (Brasil)
- Un Centro de Teletrabajo en la Universidad - Sônia
Boiarov (Argentina)
- Um Complexo Empresarial Oferecendo Soluções
Otimizadas - Otávio Soares de Carvalho (Brasil)
- Vision Legal Práctica del Teletrabajo - Maria
Teresa Rivarola (Argentina)
- Teletrabalho - Simone Basile (Brasil)
- Ways of Building Trust in E-Work - Shimozaki Chiyoko
(Japão)
- Estratégias da Mobilidade Paulistana - Rogério
Belda (Brasil)
- Virtual Citzen Service Agency - Everardo Lima Sampaio
Filho (Brasil)
- Aspectos Legales del Teletrabajo - Renée Muchen
(Argentina)
- 100% Mobile - Augusto Gaspar (Brasil)
- A Study on Teleworking in a University Setting -
Abdul Azeez Kadar Hamsa (Malásia)
- Como Pesquisar e Resolver Sozinho - José
Antônio Rosa (Brasil)
- Business Case: An Outbound Call Center - Gustavo
Denicolay e Maria Sol Irastorza (Argentina)
- Teletrabalho e as Implicações nas Relações
Sociais dos Indivíduos - Ronaldo André Rodrigues
da Silva (Brasil)
- E-Government-Developong e Solutions and Calculating Impacts
- Andersson Karl-Erik (Suécia)
- Impactos Psicossociais do Teletrabalho - Sandra
Maria Mota Lima (Brasil)
- The balancing act of managing virtual working in knowledge-intensive
organizations - Lefkada Papacharalambous e Diana Limburg
(Holanda)
- O Teletrabalho no Grupo Semco - Álvaro Mello,
Neusa Bojikian e Amyra Sarsu (Brasil)
- Herramientas y Recursos para Teletrabajar - Marcos
César Pueryredon (Argentina)
- Aspectos Jurídicos do Teletrabalho -Vilma
Toshie Kutomi (Brasil)
- O E-learning e o Teletrabalho - Francisco Soeltl
(Brasil)
- Regulating Knowledge - Intensive Work - Hannu Mikkola/Reima
Suomi (Finlândia)
- Telework and the Perception of Time - Beverly Leeds
(Inglaterra)
- The Strategic Management of Telework - Benjamin
Swalens e Viviane Illegems (Bélgica)
- The Young Entrepreneur of Public School - Carlos
Aquiles A. Siqueira (Brasil)
- Construindo um Portal Via Teletrabalho - Valmir de
Oliveira Feltrin (Brasil)
- Would you like chips with that? - Owen Leeds (Inglaterra)
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