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Trabalhador
brasileiro não se compromete com o que faz
Os profissionais
com mais de 50 anos de idade são os mais engajados. A explicação
está nas dificuldades que têm para encontrar uma nova colocação
O trabalhador
brasileiro é leal com a empresa, está disposto a melhorar
o desempenho, tem idéias criativas e chega a se entusiasmar com
o sucesso do negócio. No entanto, a maioria não está
comprometida com o trabalho. É o que revela uma pesquisa realizada
pelo The Gallup Organization com 1.012 funcionários, em 11 capitais
brasileiras.
De acordo com a pesquisa, 79% dos trabalhadores brasileiros estão
nesta situação; outros 18% estão “ativamente
desengajados”, ou seja, são os que faltam costumeiramente,
se encarregam de disseminar o pessimismo entre os colegas e de destruir
os valores por eles criados. “Os ativamente desengajados estão
presentes fisicamente e não psicologicamente”, declarou Gustavo
Oliveira, diretor geral da Gallup no Brasil, ao jornal paulistano “Valor
Econômico”, ao ressaltar que talvez fosse melhor as empresas
pagarem essas pessoas para ficarem em casa, principalmente se tiverem
contato com clientes.
O estudo brasileiro teve como base pesquisa mundial realizada pelo mesmo
instituto, com um milhão de trabalhadores, que identificou 12 questões
para captar o nível de comprometimento dos funcionários
com as empresas.
Os norte-americanos são os trabalhadores mais engajados (28%),
segundo a pesquisa. Os chilenos aparecem a seguir, com 25%. O Brasil não
está tão distante: tem 21% nesta condição,
bem acima de países como França e Alemanha, onde os percentuais
são 12% e 13%, respectivamente.
Chefes
De acordo com
o estudo, um dos motivos apontados para o desengajamento é a falta
de habilidade dos chefes imediatos na gestão de pessoas. Outro
dado que preocupa mostra que 19% dos gerentes ou supervisores fazem parte
do grupo dos “ativamente desengajados”. “Um gerente
com essa característica tem um poder de destruição
muito grande”, enfatizou Oliveira.
Para 51% dos desengajados, o pessimismo é total. Nunca estão
satisfeitos. Para eles, a situação econômica do País
está sempre ruim; 21% acreditam que a situação financeira
das empresas nunca é favorável.
A
remuneração faz a dirença
O que diferencia os engajados dos não engajados, que realizam as
tarefas corretamente, mas que não são apaixonados pelo que
fazem, é a remuneração. Cerca de 55% dos mais comprometidos
acreditam receber salários adequados e 66% valorizam a satisfação
pessoal ou profissional. “Eles estão dispostos a receber
menos, pois seu trabalho é reconhecido de várias formas”,
declarou. Os outros, é claro, querem mais salário.
O engajamento brasileiro dos profissionais mais jovens, segundo o estudo,
difere dos resultados mundiais. Apenas 16% dos profissionais com idades
entre 18 e 29 anos são “ativamente desengajados”. Para
Oliveira, a explicação pode estar relacionada com a situação
econômica do País. “2006 foi um ano de baixo crescimento
econômico, o que trouxe pouca movimentação para as
empresas”, ressaltou.
No Brasil, os profissionais mais comprometidos com o trabalho são
os que têm mais de 50 anos de idade. O engajamento chega a 38%,
um reflexo das dificuldades para se recolocarem no mercado de trabalho.
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Satisfação
Com
forte conseqüência econômica para as empresas,
a falta de engajamento no trabalho pode ser mensurada por
meio de: índice de absenteísmo; turnover (rotatividade
de pessoal); grau de satisfação dos clientes;
lucratividade, produtividade e perdas ocasionadas por descuido;
e furto ou acidentes.
Para Oliveira, o engajamento está ligado à oportunidade
de crescimento profissional. “Os mais engajados são
mais satisfeitos com a vida””, declarou.
Não foi à toa, portanto, que mais de 50% dos
engajados, segundo a pesquisa, dizem possuir as coisas que
consideram mais importantes na vida. |
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