:: Jornal Administrador Profissional -nº 251 - Maio 2007

Vendem mais e têm os melhores financiamentos

Quanto mais avançado o nível de governança, maior é o faturamento e o lucro

O tema governança corporativa ganhou notoriedade a partir dos escândalos contábeis que envolvera empresas como Enron, WorldCom e Parmalat. Colocar em prática essa política de regras rígidas é para muitas empresas uma espécie de atestado de transparência e um antídoto contra fraudes. De acordo com uma pesquisa da consultoria Prosperare, com 217 empresas familiares, para a revista “Exame”, a governança não pode ser classificada apenas como assunto politicamente correto, mas que pode afetar o crescimento da companhia. Segundo o levantamento, quanto mais avançado o nível de governança e a preocupação com a administração e a organização familiar, maior é o faturamento e o lucro.
Nos últimos cinco anos, segundo o levantamento, empresas que seguiram boas práticas de gestão aumentaram suas receitas em até 66%. Nas demais, esse percentual não passou de 27%.
A existência de Conselhos de Administração ou Conselhos Consultivos - todos com a participação de profissionais independentes - pode ser decisiva até na hora de pedir um financiamento. É o caso da Eliane, fabricante de cerâmicas, que conta com três dos oito ocupantes independentes.
Para Edson Gaidzinski, presidente da empresa, o conselho não foi criado com essa finalidade, mas ele garante que sem ele a empresa não teria conseguido um empréstimo de US$ 45 milhões com o Banco Mundial. O dinheiro foi empregado na expansão de uma de suas fábricas no Sul e na compra de outras duas na Bahia. Foi suficiente, também, para que dobrasse o faturamento líquido, cerca de R$ 460 milhões por ano.
Ainda segundo Gaidzinski, caso tivesse recorrido às linhas de crédito dos bancos de mercado, o custo do empréstimo seria, pelo menos, 20% superior.
A aceitação da governança corporativa pelo mercado financeiro é cada vez mais reconhecida. Estudo da Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, revela que a adoção dessa prática contribui para que os custos de renegociação de dívidas sejam até 70% menores. A valorização tem a ver com o fato de que a governança contribui para a valorização das companhias.